Febre
Que me aquece que mata que me gela
A Febre
Que trás, aos meus olhos a imagem dela
A calma
Da minha casa, as paredes do meu quarto
Meu castelo, minha masmorra que me acolhe
Me protege, me conforta no meu vicio
E na manha seguinte saio de casa bem feliz
Com a corda, o colar, a minha volta
E quando pulo, o ar falta
Mas que tristeza era um sonho
Faltou coragem, estou de novo
Na minha casa, as paredes do meu quarto
Meu castelo, minha masmorra que me acolhe
Quando a tinta escorre, marco o meu corpo, me sinto outra
Pinto o meu rosto, subo ao palco, embriagada pelo sucesso
Perdida em palmas eu idolatro aquela que não sou eu
O fogo, o vermelho do sangue, que me cora
A dor, singela e calma que me devora, sem muita pressa
O grito do meu silencio, só eu escuto, nem eu entendo
Contos os dias, por muitas horas, o tempo passa e não me trás
O que procuro o esquecimento, um alivio para esse tormento